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ARTIGOS

Corda-bamba

Você já saiu com alguém para comprar alguma roupa e depois de experimentar, trocar, tirar, colocar, provar, um sem fim de opções ela sai indecisa e acaba não comprando nada? Com certeza, isso irrita a qualquer um. Mas, e quando esse alguém é você? Nem sempre é fácil fazer escolhas, desde coisas tão simples como uma roupa, até decisões mais complexas como que profissão seguir. Tudo piora quando estamos emocionalmente envolvidos com esta decisão e suas conseqüências. Para muitos o processo de escolha é altamente impulsivo, sentem a vontade, escolhem e pronto, contudo este tipo de escolha, em geral, ocasiona um amargo arrependimento. Outros vivem um processo inverso, pois demoram tanto para escolher que acabam perdendo a oportunidade e sofrem a frustração de nunca saber o resultado. Uma coisa fica clara, não há como fugir da encruzilhada da escolha.
Um amigo passou muito tempo repetindo-me essa frase: “a vida é feita de oportunidades e é feliz quem sabe aproveitá-las”. Mesmo que eu não goste de frases de efeitos, devo concordar com esta e pensar em oportunidades. Sem sombra de dúvidas devemos aproveitar as oportunidades, mas como saber qual a oportunidade deve ser aproveitada? Ou ainda, quando saber que é uma oportunidade e não uma encrenca? Como reconhecer o caminho certo? Permita-me aumentar a angústia perguntando: como saber a vontade de Deus?

Hoje, tenho vontade de sorrir quando me lembro as muitas vezes que passei esperando um sinal da parte de Deus para as mais variadas situações. Desde a confirmação por uma estrela cadente ou meteoro em uma espera de três horas ao relento, até mesmo pedir a Deus para que uma pessoa estranha ligasse e me dissesse uma determinada frase. O aparecimento de um anjo. Um clarão no céu, desejando que algo sobrenatural ocorresse. Haja imaginação! Graças a Deus, que muito desses mirabolantes pedidos nunca foram atendidos, ainda que outros sinais sim tenham sido dados, a verdade é que tive de aprender a conhecer a vontade de Deus de um jeito bem mais simples e menos dramático.
Deus nos criou com uma condição que nos torna muito especiais, algo que aprofunda a noção de “imagem e semelhança”. Cada um de nós tem um poder, na verdade é o único poder que Ele nos concedeu, não podemos esticar nosso tempo de vida, ou curar-nos de todas as enfermidades, mas temos o poderoso uso da vontade, o que chamamos de livre-arbítrio.

Caso você não tenha notado, estamos neste mundo de pecado como conseqüência de uma escolha, todo esta história da luta entre o bem e o mal começou e vai terminar por escolhas, e o plano da redenção é para nos garantir o direito de escolha. Percebe como Deus leva isto a sério? Tão sério que preferiu sofrer a nos privar deste dom.
Como guia infalível para nossas decisões Deus nos deixou a Bíblia. As vezes passamos horas ajoelhados pedindo uma resposta, quando, muitas vezes, tudo que precisamos saber já está escrito nela há muito tempo, o problema é que não a lemos.
Então usamos de alguns subterfúgios bem especiais para tentarmos conhecer a vontade de Deus, ou simplesmente sabermos que caminho tomar. O primeiro é o “bingo bíblico”, que consiste em orar, e abrir a Bíblia em alguma parte aleatória, apontar algum verso e, bingo! Ali está a resposta. Agora é só interpretar como bem lhe convém, e somos mestres em fazermos isso. O que me lembra um conto que ouvi de um rapaz que angustiado, estava em dúvida se devia ou não se suicidar, então orou, abriu a Bíblia, apontou um verso qualquer e leu: “Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se” (Mt 27:5).

Assustado com o que leu, pensou que isto não poderia ser a resposta de Deus, então orou novamente, para tirar a prova dos nove. Abriu a Bíblia em um outro lugar qualquer e leu: “Vai, e faze da mesma maneira” (Lc 10:37). Por que insistimos em querer uma religião mágica e esotérica? Deus não trabalha com sorte e azar. Com caminhos ocultos e fórmulas mágicas. A Bíblia não é um amuleto!

Outra maneira muito comum é a “carta na manga”, quando você ora a Deus e pergunta qual a vontade dEle, mas você já fez a sua escolha, o ato de orar é somente para alivio de consciência, só para dizer “eu tentei”. A “bomba atômica” é a explosão de emoções, tão avassaladora que parece chacoalhar nossa mente, impossibilitando qualquer reflexão. E impede mesmo, porque você deseja tanto uma coisa, que já até sonha acordado com aquilo, não consegue pensar em nada mais, que ao falar com Deus é mais um relatório do que um pedido por direção. A enxurrada de emoções afoga de tal maneira a razão que qualquer decisão tomada assim será problema com certeza. Confundimos fé com sentimento, almejamos sentir a resposta de Deus por meio de um “abaloa” do Espírito Santo, uma comoção irracional, um frenesi. Só que fé não tem nada a ver com sentimento, acreditamos que ouvir a voz do Espírito Santo é um êxtase emocional quase que alucinógeno,uma experiência sobrenatural. Isso não é Bíblico, esta forma de comunicação com a divindade provém das religiões pagãs. Reflitamos na vida de Elias e como Deus lhe ensinou que não é a força do vento, ou o terror que causa um terremoto, nem mesmo a impotência diante do fogo consumidor, mas a calma e suave voz dAquele que pode ler a mente e o coração (1 Reis 19:11-13).

E por último, o famoso “lá-lá-lá-lá-lá” que é quando parece que tapamos os ouvidos e ficamos repetindo sem parar a mesma coisa, e perguntando a Deus qual é a Sua vontade, quando os princípios estão claros na Palavra de Deus. Parece que pretendemos mudar a vontade dEle pelo cansaço. Bem, sinto informar, mas Deus é imutável (Tg 1:17). Você pode corroer os joelhos de tanto insistir que Deus não mudará Sua santa vontade em prol dos desejos egoístas do ser humano. Com isso pode surgir a pergunta sobre por que orar então? Já pensou na hipótese de que a oração não é para mudar a Deus, mas a nós mesmos?

O que ocorre muitas vezes é que queremos fazer a nossa vontade e ficamos buscando desculpas para dizer que nos enganamos, ou não ouvimos, não sabíamos, ninguém me disse, e tantas outras coisas. Fugimos da decisão porque com ela vem a responsabilidade, e não queremos isso! Então inconscientemente ou não, criamos barreiras para não ouvirmos a voz de Deus, ou para não entendermos sua direção. E quando tudo dá errado culpamos ao Senhor por tudo de ruim que aconteceu, sendo que O excluímos totalmente do processo.
É muito mais fácil fugir do que enfrentar, ocorre que ao escolhermos fugir, já decidimos de qual lado queremos estar, pois nesta vida somente existem dois caminhos: ou seguimos a Jesus, ou a Satanás. Não há a opção de escolhermos entre algo ruim e outro não tão mal. O problema é que não consultamos a Deus de coração verdadeiramente aberto, com sincero e honesto desejo de saber qual é o caminho certo a ser tomado, com a humildade de nos submetermos a Sua vontade, mesmo sendo esta contraria a nossa própria vontade. Somente deixamos que Deus participe de nossas vidas, quando na verdade Ele deveria ser a própria razão de nossa existência.

Deus nos deu o dom do livre arbítrio. Em dadas situações as conseqüências pela escolha do bem parecerão desastrosas, mas isto não é problema seu! Escolha o bem e deixe as conseqüências com Deus, tenha certeza que Ele não vai se atrapalhar com a dificuldade.
O que não podemos é estar como o povo de Israel nos tempos de Elias, desejando servir a dois senhores, isto não é possível, pois o centro do cristianismo está na escolha.
Precisamos escolher a Deus e sua direção sem medo do futuro, pois isto a Ele pertence. Devemos estar ancorados pela Palavra da Verdade para não sermos abalados por qualquer tempestade. Crer que a vontade de Deus é o melhor para mim, ainda que não entenda o porquê. Seguir a verdade sem mesmo ver a luz no final do túnel. Decidir por Cristo, ainda que caiam os céus.

“Até quando vacilareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o” (1 Reis 18:21, versão espanhola Reina-Valera, 1995, tradução do autor).
E chegamos até aqui e você deve estar se perguntando: e como conhecer a vontade de Deus? Eu não vou te contar! Estude a Bíblia e siga sinceramente aos princípios que a Palavra de Deus apresentará a você. Ore a Deus com o coração aberto e humilde, não simplesmente pedindo e agradecendo, aprofunde o diálogo, abra o coração, conte o que vai lá dentro de sua alma, busque compreender a vontade dEle. Dedique tempo para meditar e cativar sua mente para pensar em Deus e na sua obra salvadora. Entregue-se sem medo e reservas e você aprenderá a conhecê-Lo e a ouvir Sua meiga e doce voz. Essa maravilhosa voz que concede paz, felicidade e esperança.

Que você tenha uma boa descoberta. Mas lembre-se que muitas vezes a vitória não está em chegar ao final, mas simplesmente em estar caminhando.

Pr. Matheus L. Tavares


 



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